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O NASCIMENTO DE GIUSEPPE BARONE O SEGREDO DE PALU REUNIÃO E CONFRATERNIZAÇÃO - ITÁLIA A GRANDE FAMIGLIA BARONE
clique na foto e veja em tamanho normal raríssima foto da Grande Família Barone - Moriago della Bataglia (1) imigração e despedida dos Barone para o Brasil, Argentina, EUA - 1885 Dom Pier Luigi Barone - Bispo Emérito de Brescia, it
fotos históricas da floresta
Essas fotografias belíssimas da Floresta de Palu, aparece no cenário da intensa atividade turística de Moriago della Bataglia, notadamente nos dias atuais, mas na época do auge da imigração italiana, por volta de 1860, logo após a unificação da Itália, marcou a vida da GRANDE FAMIGLIA BARONE. Voltando em "flash-back" ao passado, quando retrocedemos nos últimos meses de 1885, a fome e pandemias (varíola, conhecida por bexiga preta) assolavam a região do Veneto e da pequena Moriago della Bataglia, Província de Treviso, à mercê da febre variolar. Naquele final de século, um frio gélido e cortante grassava a região de Palu e Giovanni Barone estava aflito e seus filhos Pietro, Luigi e Domingas, assustados com o fantasma da peste. Certa noite, quando um velho lampião iluminava com suas chamas cansadas os pobres aposentos da casa de pedras de TEREZA PILLÓN BARONE, em adiantado estado de gestação, alucinada com a possibilidade de perder o filho prestes a nascer, lastimou apreensiva ao marido: “Bepe,(como era chamado o grande Giovanni Barone) a peste vem chegando e não vou suportar. Prefiro morrer na floresta a ser levada pelos carniceiros da morte.” (velhas carroças puxadas por muares sombrios que recolhiam os corpos mortos pela febre da bexiga preta – seus condutores vestiam-se de negro e cobriam o rosto com máscaras para evitar a identificação) (2). Era a ante-sala do inferno de Cérbero, (pior do que o de Dante) o cão que soltava fogo pelas narinas, com 06 (seis) cascos de ferro e rabo de touro da mitologia grega, guardião da porta do abismo negro. Giovanni Barone, vendo a mulher às vésperas do parto do menino Giuseppe, vestiu seu velho casaco e saiu noite adentro e foi ter à casa de Assumpta Pierinna, parteira conhecida da região. Bateu à porta da casa da aparadeira e quando seus olhos entreolharam, compreenderam-se - era chegada a hora! Saíram rapidamente e caminharam céleres pela madrugada que cortava a noite azulada do frio intenso vindo dos alpes italianos e quando chegaram na velha casa de pedras, Tereza havia desaparecido silenciosamente. Uma busca desenfreada foi iniciada nas florestas de Palu e quando os primeiros raios do dia iluminaram as árvores na fria manhã, ouviram o choro de um bebê. Assumpta e Giovanni Barone correram em direção àquele choro lamentoso e bem ao lado de uma fonte de água cristalina, viram envolto em meio a velhos trapos e alguns papéis amarelecidos, o menino GIUSEPPE BARONE. Tereza Pillón, nunca mais foi vista e seus restos mortais desapareceram para sempre. O carrinho-de-bebê levando o menino Giuseppe Barone, atravessou a vida no ENCOURAÇADO POTENKIM, diante de milhares de pessoas atônitas, olhando a fantástica cena vermelha dos bolcheviques, nas escadarias do Palácio de São Petersburgo. Foi a primeira tragédia dos Barone, dando inicio a outras no Brasil e alguns outros países. O “crack” de 1929, quando os ventos fulminantes de quebras da bolsa de valores de New York, ditando a ruína e fome dos povos, esperava Giovanni Barone no Brasil para, novamente, martirizá-lo. Mortes, injustiças, riqueza, miséria, fomes, alegria, prisões, perseguições do Estado, felicidades, assassinatos, torturas, também abriam os braços negros à Grande Famiglia Barone. Nada porém tolhia aqueles homens e mulheres de aço e ferro, forjados à margem de tragédias e do sangue sagrado da protagonista Tereza Pillón.
(1) foto arquivo pessoal Zuza Barão - Treviso, Moriago della Bataglia, 1885
(2) apud – Cf - Nas memoráveis páginas do site da Família do imigrante alemão Rodolpho Hatschbach – MEMÓRIAS, encontramos o relato dramático de sua vinda ao Brasil e o encontro da febre da bexiga preta, que quase o dizimou - notem seu relato impressionante: (intróito do site do autor Zuza Barão) A varíola era uma doença infecto-contagiosa, exclusiva do homem, não sendo transmitida por outros animais, como a dengue, surgindo e desenvolvendo repentinamente, causada pelo Orthopoxvírus variolae, um vírus conhecido e extremamente resistente aos agentes físicos externos, como variações de umidade e temperatura. O O. variolae pertence à família Poxviridae, a mesma dos vírus causadores de formas variantes da doença, próprias do gado bovino, macacos, galinhas e camelos. A transmissão ocorre de pessoa para pessoa por meio do convívio e geralmente pelas vias respiratórias. Uma vez dentro do organismo, o vírus da varíola permanece incubado de 07 a 17 dias. A seguir, ele se estabelece na garganta e nas fossas nasais e causa febre e mal-estar, dores de cabeça, costas e abatimento. Agora o relato do grande Rodolpho, “verbum ad verbum”, como quer seu filho, o autor do site: “Eu nasci em 25 de fevereiro de 1868, na cidade de Gablonz a/N. [1] Naquele tempo pertencia à Áustria, e era a província da Boêmia alemã. Em 1872, depois da Guerra, meu falecido pai resolveu emigrar para N.-América, S. Francisco, e por engano veio à Sul-América, para a província de Sta. Catarina, ao porto Dona Francisca, hoje porto S. Francisco. Depois de resolvida a viagem definitiva, meu pai seguiu só num barco a vela, levando 90 dias para chegar no porto final, passando por muitos temporais; e até fome e sede passaram os passageiros.” (..) “Éramos 4 meninos e duas meninas. Seguimos 6 meses depois da partida de Papai, e embarcamos no porto de Hamburgo, em outro barco a vela, para o nosso destino. A viagem correu como de costume naquele tempo, normal, até que nos pegou um grande temporal, que custou a vida de 3 marinheiros que, ao arriarem as velas num vendaval infernal, caíram no mar onde foram tragados pelas ondas. Depois dessa tragédia rebentou uma epidemia: a varíola, a bexiga preta. Eu fui vítima, e um irmãozinho morreu; teve seu enterro no mar. As comidas de bordo eram: carne salgada, batatas, como pão umas bolachas duras como pedra que só molhando podiam se comer, um café água choca. Afinal, com 65 dias de viagem chegamos ao nosso destino em Dona Francisca, onde Papai estava há muitos dias à nossa espera. Dali fomos transportados num bote até Joinville, onde fomos instalados numa casa que Papai tinha alugado. Papai era alfaiate, mas aventurou-se a vir a Curitiba no mesmo ano. Tivemos uma viagem de sacrifícios: toda a família, sem estradas, transportada em cargueiros. Levamos uma semana para chegarmos ao destino.(...) “Trabalhei por dois durante o carnaval. Quando chegou a quarta-feira de cinzas, não sei até hoje como, ao acordar-me fora parar na ilha Jurujuba, no hospital isolado dos doentes da febre amarela. 95% dos que eram transportados para lá não voltavam; eram enterrados numa cova muito grande, e era jogada cal por cima. Eu fui um dos 5% que se salvaram dessa peste infernal daqueles tempos. Depois de 8 dias tive baixa. Voltei para me apresentar aos meus empregadores muito fraco; quase não podia andar. A senhora do patrão era austríaca, patrícia. Levou-me ao aposento onde residiam, e levou-me a um santo, não me recordo mais se era Nossa Senhora ou outro, e havia velas acesas. Essa boa criatura tinha feito uma promessa para a minha salvação. Desde que deixei a casa, ela queimava velas dia e noite até a minha volta; e chorou de satisfação ao ser ouvida pela santa. O médico tinha-me recomendado voltar a Curitiba, mudança de clima. Estava sem recursos, sem roupa, tinham queimado tudo. Fraco como estava, lembrei-me de ir ao quartel em S. Cristóvão. Lá havia oficiais que tinham estado em Curitiba, quando meus conhecidos dos fornecimentos. De fato encontrei um tenente que era transferido de novo a Curitiba. (...) “Chegados lá, resolvemos seguir até Campinas. Lá chegando, procuramos um hotel. Encontramos uma senhora de luto, e nos disse: — Voltem já a S. Paulo, aqui temos a epidemia de febre amarela, a bexiga preta. Aqui no hotel quase morreram todos.”
(3) L'Isola dei Morti - Il Luogo della Memoria - Presso l’Isola dei Morti, così chiamata dopo la guerra, (antecedentemente era un appezzamento di terreno presso il greto del fiume Piave che diviso in 16 lotti e spartito ad altrettante famiglie poteva dare compenso di un po’ di legna e fieno. Dopo la guerra andò in proprietà al Magistrato delle acque e poi alla Forestale, fino ad oggi), definita “Porta della Vittoria” poiché fu da qui che l’esercito si portò a Vittorio Veneto, si scorge l’amenità del paesaggio che richiama alla mente l’immagine di un vasto cimitero dove ogni ciuffo d’erba, ogni albero, ogni essere che popola questo lembo di terra, un tempo bagnato dal sangue umano, contribuisce a dare vita, a tener vivo un terreno inabitabile.
Giuseppe Mazzotti nel suo “Treviso, Piave, Grappa, Montello” edito nel 1938 scriveva: “Il fiume disteso sotto la collina forma piatte isole di ghiaia, su cui crescono erbe simili ad alghe. Sulla più grande, di fronte al Montello, passarono gli Arditi del XXII Reparto d’assalto per attestarsi a Moriago all’alba del 27 ottobre 1918. La strada che fecero venendo dal Piave porta adesso il nome di “Via degli Arditi” e una piramide di pietre grigie in mezzo all’Isola ne ricorda i morti. Questa è appunto l’Isola dei Morti. Sul culmine della piramide vi è una croce fatta con paletti di reticolato, e tutto intorno, lungo un deserto argine, sulla ghiaia, le erbe, i cipresseti, le acacie sono morsi e piegati dal vento”. Moriago è anche il primo paese italiano liberato dopo la guerra. Presso il Mulino Manente si scorge una lapide con tale epigrafe: “Ali alle ali le crisi non si risolvono che al di là del Piave. Gen. G. Vaccari. Qui il 28 ottobre 1918 il Generale Vaccari pose il suo primo comando sulla sponda liberata”. Soprattutto nelle tre giornate del 27, 28 e 29 ottobre 1918 si svolsero i fatti più cruenti. “La lotta che si svolse nel territorio del Comune (di Moriago) fu il fulcro dell’azione decisiva che condusse a Vittorio Veneto e non a torto potrebbe chiamarsi la Porta della Vittoria” (da “Guida di Treviso e Provincia, 1926-1927). Durante gli anni ’20 fu eretto anche un cippo presso il luogo dove fu combattuta la cruenta lotta fra italiani e austriaci, proprio l’Isola dei Morti. Sul cippo sono murate quattro lapidi con versi tratti dalla canzone “La Sernaglia” di Gabriele D’Annunzio che durante la prima guerra mondiale combatté sul fronte. L’Isola dei Morti è uno dei luoghi più sacri in Italia dove ricordare i numerosi morti, altri luoghi si ritrovano a Nervesa della Battaglia, Pederobba, Redipuglia, ecc. Negli anni ’50 il parroco di Moriago, Don Pietro Ceccato (1908-1996), preventivò l’idea di costruire un Santuario dedicato alla Madonna proprio nei pressi di quel cippo eretto trent’anni prima. L’idea fu presentata anche al Vescovo diocesano di allora, Mons. Giuseppe Carraro, che ne approvò i lavori. La prima pietra del Santuario fu posta il 16 luglio 1961. I lavori continuarono per alcuni anni fino al 1965 quando il 29 giugno, solennità dei Santi Pietro e Paolo l’allora Vescovo di Vittorio Veneto, Mons. Albino Luciani che poi diverrà papa col nome di Giovanni Paolo I, consacrò con rito solenne l’edificio fra il gaudio dei moriaghesi e del Parroco Don Pietro Ceccato. Il Santuario in seguito fu abbellito da molta oggettistica sacra e arredi. Nel 1969 furono intagliati i portali di legno dallo scultore Mussner su disegno del moriaghese Enrico Tonello, posto il bassorilievo dello scultore Giardina su disegno di Bepi Modolo da Santa Lucia di Piave, donati due lampadari artistici in ferro battuto, uno rappresentate le tre caravelle, l’altro un elmetto sforacchiato. Pure un leggio in ferro ricavato da residui di filo spinato, un crocifisso ricavato da una bomba a mano e molte altre tra cui l’artistica acquasantiera, unica nel suo genere, che raffigura un soldato con l’elmetto in mano. È proprie quest’ultimo a fungere da acquasantiera. In una vetrina sono raccolti anche alcuni cimeli storici. Una campana del quattrocento fu donata dall’associazione “Ragazzi del ‘99” nel 1968. Levi Spadetto nelle sue “Poesie” edito nel 1976 in maniera rimembrativa così ci esprime la solitudine del cippo: “I combattenti ritti sull’attenti / gravi e solenni fissano l’altare, / dove del Piave echeggiano gli accenti / al suono di tamburi e di fanfare. / Vanno i pensieri ai giorni tenebrosi, / quando il cannone in mezzo alla fornace / cupo mieteva padri, figli e sposi / su questa terra che viveva in pace. / O benedetto suolo irrigato / da tanto sangue sparso umilmente, / se non verrà da te dimenticato. / Il sacrificio fatto atrocemente / dall’odio tra fratelli scatenato / allora morti non saran per niente.” Negli anni ’60 fu inaugurata anche una stele dedicata a E. A. Mario, autore dei versi della canzone “La leggenda del Piave”. Il 16 giugno 1991, in occasione del XX° di fondazione della Sezione Artiglieri di Moriago, fu inaugurato il monumento “Vita per la Pace” opera dello Scultore Marbal (Mario Balliana) di Fontigo. In questi ultimi anni si è molto parlato di questo luogo per i numerosi atti vandalici compiuti e in positivo della valorizzazione compiuta da Andrea Zanzotto e Marco Paolini che hanno elogiato la cura del greto e ricordato i numerosi caduti.Il Cippo commemorativo. I caduti nell’isola negli epici giorni della fine di ottobre 1918 riposano oggi nel vicino Ossario di Nervesa, in cui l’epopea del Montello si riassume. Nell’isola essi sono ricordati dal rudimentale cippo, a forma di piramide, eretto in loro memoria. Costituito da pietre del fiume e saldate con calce, sulla sommità spicca una croce di filo spinato da reticolati, intrecciato nel doloroso simbolo cristiano intorno ad un elmetto contorto e arrugginito. La bianca lapide frontale reca le parole, tratte dalla Preghiera di Sernaglia, che D’Annunzio stesso ha dettato. Nel 1991 è stato inaugurato poco distante il monumento dedicato alla vita e alla pace. Un personaggio della storia moriaghese che ha lasciato un'impronta di silenzioso eroismo è stato don Angelo Frare, di cui pubblichiamo uno scritto autografo eloquente per aiutarci a comprendere questa figura e la disperazione di quei periodi per le popolazioni del fronte.(cf site comune Moriago della Bataglia, tv, it)
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