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O “PROVINCE” SINGRANDO OS MARES PARA O BRASIL - SÃO JOSÉ DO RIO PARDO

 

0 velho vapor francês “PROVINCE” trazia à bordo os BARONE e diversas outros imigrantes do VENETO, mas poucos eram de Moriago, aliás, uma comunidade veneziana pouco dada a aventuras, em especial àquelas hordas de imigração. Cidade diminuta, Moriago centraliza o perfil de seu povo na unidade, seja na paz, na guerra e mesmo em casos de catástrofes, essa natureza permanece inalterada, como o caso da tragédia do incêndio do cinema e nas guerras localizadas contra os austríacos, onde seus guerreiros feridos em combate, voltavam à Palu, "para morrer no lago", (depois da batalha) razão porque da origem de seu nome. Todavia, os Barone imigraram por razões emocionais da tragédia da protagonista Tereza Pillón, marcante em suas vidas, tanto que GIOVANNI BARONE, apregoava não conseguir mais conviver com a dor da perda da mulher e o desaparecimento de seus restos mortais na Floresta de Palu.  Por isso os Barone vieram para o Brasil como tantos outros imigrantes pobres e embarcavam em grandes embarcações movidas à vapor, atravessando os Oceanos Adriático e Atlântico, até chegar em nossa terra, cujo percurso durava meses e meses e na maioria das vezes, acompanhado por péssimas condições de higiene e alimentação, o que levava muitos imigrantes a baixa imunidade. Estas viagens sem volta, foram riquíssimas em histórias de intensa dramaticidade, onde muitos eram vitimados de cólera e peste bubônica. Dezenas de italianos faleciam no transcurso da viagem e eram lançados em alto mar, sem nenhuma cerimônia, esta somente reservada aos oficiais de bordo. (Domingas Barone passara toda a viagem no Province, carregando Giuseppe  Barone como se parte de seu corpo fosse, receosa que, se morto, fosse o pequeno protagonista, lançado ao mar - essas inumações de crianças em alto mar eram as mais trágicas das famílias)   Quando aportavam no Brasil, muitas vezes o vapor só continha metade dos passageiros. Era assustador, e para se ter uma idéia, muitos nem vinham, largavam parentes nos portos de embarque e desapareciam nas fantasmagóricas noites italianas. Muitos de Moriago, os parentes de Tereza Pillón, sequer sonhavam em aportar nestas terras, pois eram pessoas ligadas a administração pública, como por exemplo, a notável Doutora Marika Pillón. Enquanto isso, a memória volta ao passado e vemos o “PROVINCE” singrando os mares rumo à América do Sul e nele viajavam para o desconhecido, Giovanni Barone e seus filhos, todos adolescentes e sonhadores. No sagrado colo de Domingas, viajava o menino GIUSEPPE BARONE, o protagonista e herói da Floresta de Palu. No vapor, servia-se um chá pela manhã, pão preto e batatas no almoço e só – leite somente para os pequenino, em pequenas rações diárias de ½ litro. Giuseppe sobreviveu à viagem e quando chegaram em Santos, exaustos, foram contratados pelos “gatos” dos coronéis do café. Logo estavam na HOSPEDARIA DE IMIGRANTES e depois seguiram de trem pela São Paulo Railway para SÃO JOSÉ DO RIO PARDO, interior de São Paulo, região de São Sebastião da Grama, Divinolândia e região limítrofe com o Estado de Minas Gerais - de São José do Rio Pardo para SÃO TOMAS DE AQUINO, foi questão de poucos anos - em SÃO TOMÁS, outras aventuras esperavam os Barone, protagonistas das mais fantásticas viagens realizadas no Brasil. Mais tarde, Londrina, em 1934, recebeu também os imigrantes italianos, em especial, a FAMIGLIA BARONE, na FAZENDA DO MR. FRASER, simplesmente LORD LOVAT, fidalgo escocês SIMON JOSEPH FRASER, (CIDADÃO BENEMÉRITO DO PARANÁ - recebeu esse título "post mortem" com o advogado JOÃO DOMINGUES SAMPAIO) notável por sua bondade, acabando por tornar  "padrinho" em terras brasileiras de ANTONIO BARÃO, filho do protagonista Giuseppe Barone. Partindo de 1939, até a morte de Antonio Barão, a família passou por momentos de intensa alegria e instantes de lamentos.    

 

   

Residência de Amélia Barão Raddi, em Maringá/PR - da esquerda para a direita, Roberto Luiz dos Santos, marido de Cecília Raddi dos Santos, um dos idealizadores do site, Zuza Barão, o protagonista Giuseppe Barone (grafia correta) e o saudoso Vergílio Barão.

 

A CORRETA GRAFIA DOS NOMES E PATRONÍMICOS

 

Os notários brasileiros, classe laboriosa, são pródigos em mudar as grafias dos nomes e patronímicos de estrangeiros - no caso da FAMIGLIA BARONE, o patriarca JOÃO BARÃO, assim conhecido, nunca usou estas terminologias, pois sendo italiano, era GIOVANNI BARONE e assim sucessivamente ocorreu com os primeiros integrantes do clã quando aportaram em terras brasileiras. PEDRO BARÃO, por exemplo, era PIETRO BARONE, LUIZ BARÃO, era LUIGI BARONE  e JOSÉ BARÃO, era GIUSEPPE BARONE. Hoje, por exemplo, para se obter a cidadania italiana, necessitamos de certidões dos nomes e patronímicos corretos e cada um "per si", pode corrigir judicialmente seus nomes e apelidos de família, dependendo da vontade de cada um e seus sentimentos pessoais - eu como sou da terceira geração e não ocorreu erros de ortografia pelos notários, prefiro ficar assim mesmo, mas podemos a qualquer momento mudar de opinião, sempre olhando o tempo e a época em que vivemos. O tempo e a época é como mágicas, mudam ao sabor da vontade.      

 

 

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