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A PRISÃO DE GIUSEPPE BARONE o enigma da morte de Guilherme Fontana pequena reminiscência de São Tomás de Aquino A prisão ilegal de GIUSEPPE BARONE e a morte prematura de GUILHERME FONTANA, aos 25 (vinte e cinco) anos em São Tomás de Aquino, Minas Gerais, exige do intérprete e historiador ampla reflexão e o pequeno espaço de uma “home-page”, seria impróprio para contar lendas, mistérios e histórias familiares, contadas ouvido a ouvido. Entrementes, usaremos nosso raciocínio de síntese, para demonstrar a martirização de GIUSEPPE BARONE em São Tomás de Aquino, preso ao ser confundido por um meliante daquela região mineira. O holocausto da prisão de "BEPE", ocorreu quando este em certo entardecer, saíra do sítio de OSWALDO FENELON, onde trabalhava, para comprar alguns mantimentos em São Tomas de Aquino - FENELON empregara GIUSEPPE, para construir na propriedade, casas, tulhas, galpões, terreiros de café, monjolos, maquinaria, pois o admirava pelo seu ofício de mestre de carpintaria, e não tinha dúvidas da honestidade do amigo, a quem acolhera da ruína de 1929, quando da QUEBRA DA BOLSA DE NEW YORK, "crack" que fez nascer a teoria keynesiana, ou seja, intervenção lenta e gradual do Estado na economia. Naquela tarde, então,quando Giuseppe vinha voltando para casa, montado em seu cavalo campolina, na saída da cidade, foi preso pelo delegado de polícia Demétrius Fonseca e imediatamente colocado a ferros na delegacia de polícia. No outro dia, sentindo a falta do marido, HERMÍNIA FAVARETTO BARÃO, nervosa e preocupada, foi até a cidade e procurou OSWALDO FENELON e, já sabedora dos acontecimentos corridos boca em boca pela pequena população, contou o "causo" da prisão do marido e ambos foram ao líder político da região, o inestimável CEL LUIZ PIMENTA, quando este intercedendo por GIUSEPPE, obteve sua liberdade imediata, além do que o delegado reconheceu o equívoco da prisão e a confusão com o facínora procurado pela polícia. O CEL LUIZ PIMENTA, pai do lendário CORONEL EXPEDITO PIMENTA, (padrinho de batismo de Daniel José Barão) mais tarde SECRETÁRIO DE SEGURANÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS, Oficial da Polícia Militar daquele Estado, advogado e professor de Direito da Universidade Federal de Belo Horizonte, ainda menino, segundo nos contou, lembrava perfeitamente desse imbróglio, quando narrou tal acontecimento nas exéquias da sua mãe MARIA CLORINDA ORSI PIMENTA e TIA FILINHA, (ÚLTIMA SOBREVIVENTE DO CLÃ ORSI, IRMÃ DE ONDINA FONTANA BARÃO) ocorrida recentemente em SÃO SEBASTIÃO DO PARAÍSO, MINAS GERAIS. Refeito do susto, GIUSEPPE BARONE, tal como seu pai GIOVANNI BARONE, (ortografia correta de JOÃO BARÃO) humilhado e como não poderia deixar de ser, resolveu mudar para Londrina, onde a propaganda da época, anunciava o norte do Paraná, como o "ELDORADO", a terra da riqueza, a famosa terra-roxa, berço dos GRANDES-PÉS-VERMELHOS. Estávamos aí pelos idos de 1931 e logo depois, a "FAMIGLIA BARONE", foi contratada por LORD LOVAT, e todos mudaram para sua fazenda situada nos arredores de Londrina - Lord Lovat, fora o fundador e ideólogo da PARANÁ PLANTATIONS LTD, e seu nome batismal é SIMON JOSEPH FRASER, LORD LOVAT, (chamado pelos colonos de MR. FRÉZA, com acento agudo no e) escocês que veio ao Brasil com a MISSÃO MONTAGU em 1925, querido por seus colonos e funcionários. GIUSEPPE BARONE foi contratado para formar o cafezal da fazenda e ANTONIO BARÃO, já casado com ONDINA FONTANA BARÃO, foi trabalhar como motorista particular do fidalgo cavalheiro LORD LOVAT, o qual faleceu em 1933, segundo sua biografia. Em Londrina, nasceu nossa irmã LILIA APARECIDA BARÃO, (nome recebido em homenagem a esposa de SIMON JOSEPH FRASER, LILIAN FRASER) e pouco depois a Giuseppe Barone, adquiriu uma propriedade em JANDAIA DO SUL, (SITIO DA GRANDE PEROBA) onde todos os integrantes do grande clã foram residir e foi nessa propriedade onde nasceu o protagonista Zuza Barão (1946) e tantos outros parentes, como também muitos ali constituíram suas famílias, como Yolanda Barão, (Tia Landa) Abadia Barão, (Tia Badia) Aparecida Barão de Medeiros, (Tia Cida) casada com o cafeicultor Geraldo Borges de Medeiros, (Tio Geraldo) Francisco Barão, (Tio Chico) casado com Tia Nega, Amélia Barão Raddi, mãe da jovem professora Cecília Barão Raddi dos Santos, casada com Roberto Luiz dos Santos, empresário imobiliarista de Maringá - à protagonista CECÍLIA BARÃO RADDI DOS SANTOS, em capítulo próprio, terá descrita sua trajetória e elo de ligação com todos seus familiares, desde o mais simples ao mais rico, tamanho seu carinho com todos, simpatia e hospitalidade - à ela, inclusive, nossos agradecimentos, pois nos revelou detalhes familiares até então adormecidos e agora aviventados.
Antonio Barão - Londrina 1943
o protagonista Veraldo Lovo escrevia nos pára-choques dos caminhões à célebre frase "para amar não tenho tempo" - caminhos de Barbosa Ferraz
Destilaria Jandaia - 1953 - Encostado no pára-choque do Jeep Willys 51, "bordeaux", (temos o veículo até hoje em estado de zero km, pertencente a coleção da "FAMIGLIA BARONE") Pedro Paulo Sobrinho, 1.º gerente do Banco Itaú S/A em Jandaia do Sul - em cima do GMC carregado, Veraldo Lovo e Chicão, antigo funcionário da família - em frente a esse mesmo veiculo, Jacó Sartori, químico da destilaria - em frente ao glamuroso De Soto 51, o menino Zuza Barão, então com 07 anos - no fundo vê-se na paisagem da cidade, a "zona do meretrício" da cidade e ao lado uma pequena construção, onde depois das noites de amor, os homens tomavam a famosa canja de galinha, costume de todas as "zonas" da época - a fabrica de refrigerantes acima, pouco depois, em 1952, incendiou-se e até hoje ninguém sabe o que ocorreu, se criminoso ou acidental e uma outra fabrica provisória aberta pouco depois, também ardeu, levando no desastre, dois veículos, um caminhão MACK 1950 e um outro GMC MARÍTIMO e da mesma forma que o primeiro sinistro, ninguém descobriu nada até hoje.
Catedral de Jandaia do Sul - 1953
1961 - Guaíra - Estado do Paraná - da esquerda para a direita Ondina Fontana Barão, Maria Clorinda Barão, Raquel Barão, Zuza Barão, Antonio Barão, Jacó Sartori e João Romano.
Zuza Barão e sua irmã Raquel Barão - Jandaia do Sul. Foto Brasil - 1956
Crônicas das noites de jandaia
O barulho seco e forte de uma porta que fechava, acordou do meu sono profundo de criança - estava aguardando, a qualquer hora meu pai chegar em casa trazendo o caminhão mais bonito do mundo, um GMC 1950, adquirido na revenda TRANSPARANÁ, famosa agência de veículos do Norte do Paraná. Esses veículos eram para os meninos da época, um "glamour" naquele interior do Brasil, despertando nos pequenos, até os mais velhos, intensa paixão. Existia, por exemplo, briga de moleques disputando marcas de caminhões e automóveis, pois sempre havia preferências por marcas e eu, claro, tinha a minha, os famosos Chevrolet’s, Gmc’s, as quais soavam naqueles tempos bem mais melodicamente. Mas tudo era uma questão de preferência. Nunca mais iria esquecer aquele barulho de motor, o cheiro da cabine, misturado em meio aos meus devaneios. Naquela noite, quando Antonio Barão e Veraldo Lovo chegaram de Londrina, trazendo cada um um GMC, ouvi passos apressados e o "Alladin" logo iluminou a casa e a madrugada. Era mamãe acordando para receber os viajantes e as vozes de Ondina e Antonio enchiam meus ouvidos de curiosidade. Logo foram dormir e eu querendo ver os caminhões novos em folha, como se dizia naqueles tempos de Jandaia do Sul. Um deles trazia em cima da carroceria, um jeep estranho que me encantara, um UNIMOG, (MERCEDEZ BENZ) o qual tinha três alavancas de câmbio, fato curioso, pois além disso, tinha uma frente estranha, parecendo os candangos da DKW. Levantei pé sobre pé, abri a janela do quarto e emergi na madrugada fria de junho de 1950 e nunca mais esqueci aqueles momentos mágicos - dormi extasiado e paixão pelos veículos, cujos sonhos passo a passo, esgueirando sobre a escuridão, pairava aquelas máquinas reluzentes. Abri a porta e sentei-me ao volante em um deles e fiquei atônito com o painel branco e ponteiros vermelhos, radiantes como o sol que se aproximava da cidade. Pisei no freio e os cânulos do sistema imprimiram ar no reservatório e ouviu-se no ar: “tchi”, “tchi”, com leves intervalos. As luzes do lampião voltaram a acender e meu pai abriu a porta e foi ver o que estava acontecendo. Escondi no porão da casa e fique silencioso, vendo os passos fortes e decididos daquele homenzarrão. Ali fiquei o tempo suficiente para que todos voltassem a dormir. A espera foi longa e dormi ali mesmo, naquele porão, como se fosse um refúgio de meus sonhos. Estávamos em 1950 e eu tinha apenas 05 anos. Foi a primeira lembrança de minha infância e adolescência, porque dos anos anteriores, minha mente vaga no infinito. Deste episódio, tornei realidade minha existência e passei a reviver todos os dias, com intensidade e, muitas vezes, ódios, rancores, próprios dos homens. Ondina e Antonio eram meus pais. Éramos uma família de imigrantes italianos de Moriago della Bataglia, Distrito da Província de Treviso, Veneto, Itália, numerosos e alegres e tinha como irmãos, Douglas, Daniel, Clorinda, Raquel e Lilia, e a companhia de um outro, Veraldo Lovo, irmão de mamãe, o qual ostentava o apelido de “VERARDO CABA BAILE”, porque moço, vivia brigando com todos, acabando com festas e bailes – na verdade, seu apelido apenas pertencia à classe das lendas do norte do Paraná da época, onde volta e meia, suas festas eram invadidas por hordas de jovens querendo briga, como hoje fazem os moços nas baladas – VERALDO, na realidade, era um homem de bem, malgrado seu apelido. Era motorista da família, alto, magro, cabelos lisos e enegrecidos, pele vermelha, galante, sempre ligado à irmã, nossa mãe. Calmo como todo bom mineiro, nunca o vi erguer a voz. Estimado por todos, um apaixonado por caminhões – para ver aquele rapaz feliz, era falar de caminhões e automóveis e usava aqueles indescritíveis bonés de "chauffeur's", galicismo empregado, aliás, até hoje em França. Eram "chaufeure's" os motoristas da época, um termo que, tempo depois foi adotado pela classe. De vez em quando, ainda alguém lembra aqueles tempos e usa a expressão francesa, delicada e bonita. Veraldo e mamãe eram confidentes e conversavam muito a sós, parecendo dois cúmplices. Até hoje, nem sei o que conversavam, mas penso que falavam muito sobre a vida deles, suas dificuldades, família, as Minas Gerais, etc. Era tímido como nossa mãe, mas muito prestativo com os sobrinhos, e nunca lembro alguém chamando-o de "Tio Veraldo" e sim pelo nome apenas. Como mamãe, era mineiro de São Thomaz de Aquino e quando falavam no torrão natal, colocavam a pequena cidade como a mais bonita, e isto era compreensível naquele sertão paranaense, ainda em formação, com gente vindo de todos os rincões do país. Os mineiros e paulistas eram a grande maioria e o local onde escolheram para a migração, pareciam a ele, algo passageiro. Jandaia do Sul, era assim, algo como uma fonte de riquezas, onde os migrantes iam ganhar dinheiro, enriquecer com o café e depois voltar às origens. Para papai, mamãe e Veraldo e alguns de meus irmãos mais velhos, tudo ali era passageiro, pois Minas Gerais, ainda permanecia como sombra de sonhos - aliás, nada anormal. Era como fazer a América para os italianos e depois voltar para a velha península. Muitas discussões houve entre nós, irmãos, ou por marca de caminhões, nosso “must”, ou pela hegemonia das Minas Gerais, como por exemplo: "paranaense do pé rachado, barriga verde", deixando-me muito irritado, pois além de mais velhos, meus irmãos eram mais fortes, em maior número - mas eram só brincadeiras que o tempo solidificou como uma grande amizade e respeito, pois afinal, somos filhos da mesma terra. Mas é bom lembrar estas passagens para que a história não seja sepultada. Em Jandaia, vivíamos felizes e alegres. Sempre ia ao sítio onde havia nascido, onde morava ainda meu avô paterno, o protagonista GIUSEPPE BARONE - era um casarão imenso e na sala tinha um leão bordado em pé, vermelho, azul e branco, as cores da Itália. Na sala onde estava esse quadro, ninguém entrava, só as visitas mais ilustres. Os quartos eram imensos. Era cercada pelo lado de cima, da testada, de um parreiral onde eu brincava e namorava. Do lado direito, um imenso pomar, onde a gente colhia frutas do conde, pêssegos vermelhos e deliciosos. Em baixo da casa, como costume dos italianos, havia um imenso porão, onde estava uma charrete, que eu nunca vi ninguém usar. Permaneceu como um enigma em toda a minha infância aquela veículo movido a muares, ficar naquele local sem ninguém tocar. Ali existia um depósito de milho e a gente ficava brincando, com toda a carga de ares de mistério. Tinha o "Campinho", o cachorro de estimação da família, manso, bonito e dourado. Tinha o meu tio Vergílio, que ficava o tempo todo sentado e resmungando. Minha tia Amélia, irmã de papai, uma mulher abnegada, cuidava dele o tempo todo. Qualquer descuido ele caía e se machucava, pois tinha problemas neurológicos, desde pequeno. Vergílio Barão
Residência de Amélia Barão Raddi, em Maringá/PR - da esquerda para a direita, Roberto Luiz dos Santos, marido de Cecília Raddi dos Santos, um dos idealizadores do site, Zuza Barão, o protagonista Giuseppe Barone (grafia correta) e o saudoso Vergílio Barão. Era uma pessoa muito boa e amável. Só não podia ficar nervoso. Tinha uma força de 06 homens e jamais conseguiam dominá-lo. Forte como um touro, vivia pensando em ir à zona, onde moravam aquelas mulheres doces. Mas como Tia Amélia não deixava, TIO VERGÍLIO ia piorando dia a dia, sempre com aqueles sonhos deliciosos, do amor. Coitado do Tio Vergílio, acho que morreu sem nunca ter estado na êxtase das visões do paraíso e os braços de uma mulher. Conta-se, certo dia, TIO VERGÍLIO fugiu de casa completamente pelado e foi direto para a zona de Jandaia e foi preciso muita Policia para trazer ele de volta. Tia Amélia era a sua fiel escudeira e não largava o irmão um minuto sequer, e ai de nós, moleques traquinas. O "rabo de tatu", o famigerado inimigo mortal da molecada daqueles tempos inesquecíveis, era o santo remédio - perna para que te quero! Tinha também a vara de marmelo - essa era de doer. Minha irmã mais velha, a Clorinda, era uma moça sonhadora e vivia ouvindo a Rádio Nacional do Rio de Janeiro, PRK-30, lendo revistas de moda e desenhando seus modelos e suas saias rodadas, moda até então. Gostava da cantora Emilinha Borba, baixinha e carinhosa, rosto marcante, muito parecida com mamãe. Tinha muitos sonhos e umas amigas que me deixavam inquieto, uma delas a Neide, uma pintura do Masp. Outra, a Marlene, namorava meu irmão Daniel. Era alta e magra e usava aquelas roupas da época, sedutoras. Só tinha o nariz muito grande. Veraldo namorava uma moça chamada Francisca e noivaram por uns 08 (oito) anos – infelizmente não casaram, mas era muito bonita. Francisca, moça de beleza ímpar e educação esmerada, era apaixonada pelo Veraldo. Ouvia-se falar, nas festas e reuniões de família, às escondidas, que Veraldo não casava porque tinha casado com os caminhões do papai, onde ele sempre escrevia a frase, "PARA AMAR NÃO TENHO TEMPO". Jandaia era assim mesmo, cheia de mistérios e Veraldo era, na verdade, um boêmio, e eu, seu admirador incondicional. (VERALDO LOVO faleceu em solteiro em 1966 aos 37 anos e está inumado no cemitério de Cianorte e dos sobrinhos, fui o último a vê-lo vivo) Eu, o Zuza, magrinho, vivia pelas ruas correndo com os meninos, o Godo, Tito, Toninho, Odete da Romilda, Zeca, Zé Carlos, Marinho, Leal, Zezé, (primos falecidos) os filhos do dentista - era o líder da turma e naqueles tempos, fugia constantemente de casa por longos dias, deixando minha mãe aflita - ia sempre na serraria pegar pó-de-serra e vender na cidade, pois não existia asfalto e quando chovia, colocavam esses pós nos bares e comércio em geral, tudo isso para comprar ingressos da matiné de domingo. Meu pai era um homem de posses e de prestígio, tinha fazendas e era comerciante na cidade. Político, fora eleito vereador para o período entre 14.12.1952 a 14.12.1956 e muito ligado ao prefeito da cidade, o legendário Lino Marchetti. Eram como irmãos até no tamanho - descomunais e alegres. Grandes líderes da comunidade. Lino Marchetti, tinha dois filhos, um menino e uma menina. Tenho foto deles até hoje. Ela uma candura. O "prefeitão", como era chamado carinhosamente pelo povo que o admirava, tinha automóveis do ano e logo que assumiu o cargo replanejou a cidade, fazendo "buracos" (como se dizia na época) e acertou o plano da cidade. Lino Marchetti, foi muito criticado por isso, pois ao esburacar a cidade para aplainar sua topografia, as casas ficavam no alto e as ruas em baixo, e os moradores não gostavam. Com o tempo, dizia o prefeito, as casas de madeira iriam ser substituídas pelas de alvenaria ao nível das ruas e a cidade ficaria mais bonita. Ninguém acreditava, mas passados 50 anos, isso é uma realidade e poucos se lembram da Jandaia do Sul esburacada. Eu gostava da filha do prefeito, coisas e sonhos de menino, mas ela era orgulhosa que nem olhava para mim. Acho porque ela sempre andava naqueles automóveis luxuosos do pai, os Cadillac’s rabo-de-peixe, enquanto eu, vivia sempre nas carrocerias dos caminhões, costume que não trocava por nada no mundo. Era uma menina muito bonita e educada, mas quando eu ia nos caminhões de papai, ela nem me olhava, mas ficava espiando, ao contrário de quando me via nos automóveis da família, também luxuosos - ela gostava de mais de automóveis e eu de caminhões. Para a meninada de hoje, carros, caminhões, são produtos descartáveis, mas em 1950, quem tinha um caminhão ou automóvel, era o "bam-bam-bam". A filha do prefeito, era delgada, pele dourada, olhos esverdeados, vestidinhos com laços e sapatos brancos, parecendo uma menina saída dos sonhos e dos contos de fadas. Acho que por ser muito delicada e fina, sua beleza ofuscava automóveis, caminhões, o sol, a lua, pois eu vivia sonhando que um dia iria ser a minha deusa, a minha musa. Lembro da minha primeira professora, a Anita Prado, a que me ensinou as primeiras letras. Foi na escola de madeira, (GRUPO ESCOLAR ROCHA POMBO, toda feita em madeira de peroba) perto da Catedral de Jandaia e eu lembro da cartilha de alfabetização "CAMINHO SUAVE", onde havia a lição da zabumba: " ... a zazá riscou a zabumba. ... ". (.). (zuza barão –crônicas das noites de jandaia)
coleção da família - Chevy 1954
coleção da família - Chevrolet Brasil 1960
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