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O ouro dos tolos
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Jacarezinho
A  Lapa

 

 

 

HOSPEDARIA DE IMIGRANTES  

                                                                               

 

   Para chegar às fazendas de café do “interland” paulista, os imigrantes italianos tinham um roteiro em comum e até pitoresco para alguns: desembarcavam no Porto de Santos, tomavam o trem da São Paulo Railway até a estação do bairro paulistano do Brás e eram recebidos na Hospedaria de Imigrantes, um conjunto de prédios instalados numa área de 30 mil metros quadrados que funcionava como albergue e centro de triagem.  Assim que refeitos das longas travessias marítimas e devidamente registrados no Brasil, os recém-chegados eram então embarcados nos trens que rasgavam o interior paulista, sendo cooptados por homens à mando do coronelismo, para substituir a mão de obra escrava. Olhando atenciosamente essas fantasmagóricas fotografias da HOSPEDARIA DOS IMIGRANTES, criadas pelo colonialismo d’ontem e da burguesia cafeeira, comparando os edifícios e a propaganda da época do EL DOURADO, a qualquer olhar atento dos homens sofridos, dos trágicos campos de concentração da II GUERRA MUNDIAL, notamos a semelhança daquela vil hospedaria do Brás ao primeiro Campo de Concentração criado pelo nazismo, DACHAU, situado à cerca de 20 km de Munique, próximo à fronteira com a Áustria. O Campo de Dachau, pelas diretrizes da propaganda nazista e de seus mortíferos dirigentes, somente recebiam prisioneiros políticos, comunistas, jornalistas de oposição e intelectuais, muitos dos quais, anarquistas. Há poucos metros de sua entrada, notem a semelhança com a HOSPEDARIA, o campo de DACHAU, tinha sete torres onde ficavam os soldados da SS que faziam a vigilância e, junto aos muros cercando o campo, havia fossos e cercas duplas de arame farpado, sendo humanamente impossível fugir da fantasmagórica prisão indisfarçável. Os imigrantes ITALIANOS, em sua maioria ali hospedados (sic) impossibilitados de retornar à pátria amada, sentiram esse mesmo desprazer de prisioneiros políticos, pois aqui muitos ficaram, uns para morrer de saudades, outros, para o fastio da riqueza da Avenida Paulista e a consolidação da República. Morreram sem saber porque, como os soldados da epopéia da Guerra do Paraguay, dramaticamente no cenário de Taunay, na imortal obra “A RETIRADA DE LAGUNA”.   

 

Hospedaria do Imigrante, c. 1910.
Crédito: Arq. Municipal Seção Arquivo de Negativos DIM/DPH/SMC/PMSP

 

 

 

Hino Nacional Italiano - ouça a marcha

     

 

Hino Nacional Italiano "A Marcha Real Italiana" de 1860 - "Hino Nacional Italiano", muito cantado no auge do movimento de unificação da Itália, pois os combatentes lutavam cantando a antiga marcha, como numa guerra de fronteiras. Essa marcha, soa mais íntima para os imigrantes italianos, que o hino atual, mais sofisticado e mais voltado a intimidade do poder estatal.  

 

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